sexta-feira, 18 de maio de 2012

Atual

E quando você pensa e repensa
Pensa e repensa
E duvida da suficiência
E cansa da dependência
Procura e não acha paciência.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Dia a Dia

Cansada. Cansada de tudo e de todos. Cansada da falta e da desesperança de um preenchimento. Cansada da existência combinada com o possível inalcance.
Um dia cheguei a pensar que o suicídio vinha apenas de um momento de dor desesperadora, uma busca pelo extremo anestésico. Mas achei uma razão - se é que posso chamar de razão a exata falta da mesma - ainda mais triste: o cansaço. A monotonia, a falta de motivação. Não um suicídio aflito, mas planejado. Uma opção viável para quando cada resquício de vitalidade sumir. Qualquer coisa eu me mato. É um plano B em caso do plano A de seguir em frente dar errado.
Cansada. Cansada do meu cansaço. E assim tento manter as lâminas fora de alcance.

sábado, 12 de novembro de 2011

Routine

It's empty, then it's full
of pain, of agony
My heart hurts in such a way
My mind finds no reason

Everything's ok, just fine
I look around and then,
out of the blue, it attacks me
It gets hard to breathe

And I keep wondering:
Dear Depression, will you ever leave me?

sábado, 5 de novembro de 2011

A Garota Que Não Acreditava

O lugar estava lotado de pessoas e seus supostos pecados e supostos arrependimentos. Pessoas de joelhos, com pão a derreter e grudar no céu da boca, pessoas na fila para fazê-lo, pessoas com medo do que os espera no desconhecido futuro, pré e pós óbito. Tudo aquilo era regido pelo medo e levava as pessoas a falar e fazer coisas ruins. Era o que a garota de expressão vazia estava a pensar. Ela olhava ao redor e sentia-se triste. Por que as pessoas submetiam-se àquilo?
Ela olhou para cima, inclinando a cabeça de forma nada discreta. Era tão triste que chegava a ser digno de pena. E o que é digno de pena é ridículo. Uma estátua ensanguentada pendurada no alto da parede. E aquilo supostamente deveria ser encorajador.
Havia um homem conduzindo a reunião. As pessoas gritavam palavras em coro, cantavam juntos as mesmas músicas de tantos anos passados. A garota notou como as pessoas se vestiam, com seus vestidos caros e jeans skinny, com seus ternos de trabalhadores altamente qualificados. Pessoas modernas participando de uma cerimônia medieval.
A grande questão é que a garota tinha um coração gentil. Ela amava, era doce, acreditava que havia algo de bom em cada pessoa viva, tentava buscar motivos para as diversas maldades, sonhava em ajudar pessoas, em conhecer o mundo e suas texturas. Mas estava ali, desejando que aquelas pessoas fossem mais fortes e apoiassem mais umas às outras em vez de dizer que "Deus" isso e aquilo. Graças a Deus, se Deus quiser, vá com Deus. Por que não agradecer às pessoas pelos seus esforços, confiar em seus potenciais?
A missa chegava ao fim. As pessoas se abraçavam, pois o condutor dissera para que fizessem-no. Mas por que não podiam se abraçar em dias comuns, a qualquer hora, sem que ninguém mandasse? Por que não podiam amar por amar em vez de amar porque é o que Deus prega? Por que não esqueciam o homem por quem machucam, que não é menos fictício que nenhum outro personagem de livro, e começavam a traçar seus próprios caminhos, viver suas próprias filosofias? Poderiam se inspirar por um escrito, tomar um ser não-real como exemplo, admirar seu criador (uma pessoa de carne e osso), mas tomá-lo como real e venerá-lo? Julgar os que não o fazem?
A garota se sentia mal. O peito apertava, a melancolia era grande.
Aquilo era triste demais. Simplesmente triste demais.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Vida

O local não tem relevância. Fosse ele uma sala de aula, uma sala de estar, um quarto, uma praça. Estivesse ela sentada no chão, em um sofá, em uma cama de solteiro, em uma cama de casal, na calçada, em uma carteira - azul, verde, branca.
Veja bem, o lugar tem importância, apenas não o local contido no lugar.
A luminosidade teria alguma importância, se fosse noite cheia de luzes artificiais, ou noite estrelada, ou clareira como a fornecida por uma luz que tem sucesso em atravessar folhas e galhos de árvores. Mas, no caso, a luminosidade provinha de uma lâmpada em plena manhã, o tipo de luz que deixa a vida com um tom pastel. Não estimula ao desespero nem ao ímpeto de rebelar-se.
As pessoas ao redor tinham sua relevância, por suas feições conformadas parcialmente escondidas em máscaras de satisfação.
A relevância, em sua essência e semi-independência, era o que ela estava a sentir. Seu coração não estava acelerado, mas sua mente não parava. O peito vazio em antítese à mente cheia.
Precisava ir embora. Precisava procurar as paisagens metafísicas de seus sonhos. Precisava preencher-se de sensações. Precisava de informação nova, fresca. Precisava de vivências pertubadoras, felicitadoras, empolgantes, inspiradoras, frenéticas, suaves, intensas. Precisava pertencer a diversos lugares, diferentes povos. Andar por diferentes ruas, festejar em ou apenas fazer sutis visitas a diferentes residências. Tocar diferentes peles, sentir diferentes texturas, gelar no ferro e aquecer na madeira.
Ela sentia-se vazia porque lhe faltava vida em sua forma mais profunda, intensa, completa. E só nesta forma seria a ela suficiente e a livraria de tal desconforto. Só assim ficaria satisfeita. Só assim saborearia a real felicidade.

Deep Inside

I live for life
For love, for beauty
For people, for touch
For crowds or solitude.
I live to feel alive
Not to follow the system until I die.

domingo, 2 de outubro de 2011

Complainant

Save your anger to yourself
Or at least to the one to blame
I myself have enough problems
Don't try to drive me insane.