segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sob as Árvores

Eu me perco de propósito
Só pra ver se você me acha
Mas minha mente é lugar inóspito
E falsa esperança não tem graça

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Fim

Eu luto contra essa vontade há um bom tempo. Às vezes ela vem mais forte, me sussura no ouvido e quase me faz ceder. Às vezes é só uma sugestão que passeia pela minha mente. Mas ela está presente, e eu tenho medo dela.
Problema vai ser quando ela vier e eu não tiver medo algum.

Desejo

Eu não quero sexo casual
Nem alguém pra me beijar na balada
Se eu vou dormir sozinha

Eu quero um beijo na pálpebra
Eu quero andar de mãos dadas
Eu quero dormir de conchinha

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Crise

  A paisagem girava, puxando os olhos e o pescoço da pequena Olivia. Pequena para viver tal trauma, mas grande no acúmulo deste. Enquanto o mundo girava insistentemente, completamente fora do controle da garota, a estrada parecia uma corrente que seguia na direção contrária à do seu destino.

- Já estamos chegando! - dissera a voz. Sempre estavam chegando. Mas a giratória do seu pescoço não se importava. Ou talvez se importasse sim, e por isso girasse com mais força para compensar a proximidade do seu fim.

  Olivia via cada detalhe do céu, mas sem apreciá-lo. Quem o apreciaria daquela forma?

  No hospital, ninguém a ajudava a segurar o pescoço tensionado.

- A ficha dela já foi feita? - perguntou uma voz seca. Era aquilo que importava, certo? Confirmar o direito ao auxílio, não o auxílio em si.

  O pescoço de Olivia doía como o inferno e, para piorar, o quarto tinha detalhes demais. Assim, seu olhar não conseguia se focar em um ponto e seguia virando para a esquerda.

  Esquerda. Esquerda. Esquerda.
  Vozes à esquerda. Mãos à esquerda. Cortinas à esquerda (e por todos os lados).

- É psicológico. O seu corpo não se mexe sozinho. - dissera novamente a voz seca.

  Olivia chorou. Era muito dor, e agora descrença. Dor e descrença. Descaso.

  Finalmente, comprimido.
  Antes tarde do que nunca, injeção.

  Esquerda. Meio. Esquerda.
  Pernas agitadas. Tremor. Frio.
  Morno. Meio.  Músculos relaxados.
  Olivia dormiu.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Carta Anônima

Olá,

  Acho que já te contei que passei por uma depressão. Foi a pior fase da minha vida e me afetou brutalmente. Mas não é sobre isso que quero falar. O caso é que, algum tempo depois que melhorei, me vi impossibilitada de chorar - algo absurdo para o tipo de pessoa que chora vendo desenho animado e comédias românticas. Veja bem, eu ainda me sentia triste, com um nó na garganta, mas as lágrimas não vinham. Não havia drama que molhasse minhas pálpebras. Nem mesmo raiva. Comecei a me preocupar de verdade.

  Bom, eu estava chorando agora a pouco. Também chorei dois dias atrás. E me sinto disposta a chorar mais um bocado.

  Enfim, muito obrigada.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Ansiedade

Hoje eu acordei
Pensando em você
Que não larga mais de mim
Não sei nem dizer por que

Tomei um, dois, três
Comprimidos só pra ver
Se você desiste enfim
Já to pra enlouquecer

Eu dei entrada na urgência
O médico tava sem paciência
Meu bem, me deixa respirar
Larga o meu pescoço que não para de entortar

Eu to parecendo doida, meu amor
Olhando os lados morrendo de pavor
Com medo que você apareça
Eu to cansada de ser doente da cabeça

Todo mundo acha descolado
Ter um monte de transtorno, tomar remédio controlado
Mas, querido, eu não aguento mais
Então sai da minha frente, eu só to querendo paz.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Autorretrato

Poucas coisas na vida
causam tanto estrago
quanto experimentar
o que não se pode ter.

Poucas coisas na vida
dilaceram tanto um peito
quanto uma decepção
que encontramos ao acaso.

Poucas coisas na vida
são tão cruéis quanto
dar falsas esperanças
a um doente.

A vida é feita de muitas coisas certamente.
Mas nenhuma machuca tanto
quanto não conseguir ser feliz.