O céu estava apagado, mas a cidade estava acesa. As luzes ofuscariam os olhos de um forasteiro desacostumado, mas não os dos habitantes daquela cidade grande e sempre tão iluminada. Ela não falhava em clarear a imensidão exterior da cidade e da pele de todas aquelas pessoas. Não podia fazer mais que isso. E lá estava o problema.
A pálida garota caminhava sozinha por aquelas ruas consideravelmente movimentadas apesar da avançada hora. Ela ia caminhando sem pressa, sentindo a brisa e o calor abafado simultaneamente. Quanta gente! E ia observando os carros que passavam e os casais de mãos dadas. A sobriedade estava enlouquecendo-a. Adiantou um pouco o passo e atentou-se em um beco escuro. Escuro. Lá estava a falha. Como em seu interior. E adentrou na escuridão, tateando a pílula do bom sono. Para momentaneamente iluminar o que estava machucando-a no breu de sua mente. Para que pudesse arrumar a bagunça, apesar de que - ela já sabia - tudo acabaria bagunçado e de lâmpadas queimadas novamente. Mas um momento bastava. Ela só queria dormir.
domingo, 5 de dezembro de 2010
domingo, 28 de novembro de 2010
Ideia Solta
Percebi que tudo depende do amor.
Passei bom tempo procurando causas sociais ou quaisquer outras como tema para as mais diversas obras alheias. Música, principalmente. Quis negar a ideia de que tudo gira em torno do amor e que só dele se fala. Parecia ser a temática que prevalece, acima de qualquer outra. E é, de fato. Critiquei, talvez por medo ou não sei.
Mas aprendi a aceitar por um simples fato: olhei para mim mesma. É a solução para a grande maioria dos dilemas. Percebi o que prevalecia em minhas não-renomadas obras literárias. E entendi. A criação alimenta-se de inspiração e esta última de emoção. E o que proporciona tantas emoções, diversas e intensas, senão o amor?
Plausível. E é isso.
Passei bom tempo procurando causas sociais ou quaisquer outras como tema para as mais diversas obras alheias. Música, principalmente. Quis negar a ideia de que tudo gira em torno do amor e que só dele se fala. Parecia ser a temática que prevalece, acima de qualquer outra. E é, de fato. Critiquei, talvez por medo ou não sei.
Mas aprendi a aceitar por um simples fato: olhei para mim mesma. É a solução para a grande maioria dos dilemas. Percebi o que prevalecia em minhas não-renomadas obras literárias. E entendi. A criação alimenta-se de inspiração e esta última de emoção. E o que proporciona tantas emoções, diversas e intensas, senão o amor?
Plausível. E é isso.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Dilema
Me diga, por favor, me diga
Por que gosta tanto de sofrer?
Por que prende-se à fadiga
Do amor que cansa viver?
Por que gosta tanto de sofrer?
Por que prende-se à fadiga
Do amor que cansa viver?
terça-feira, 9 de novembro de 2010
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Coisa de Adulto
Se ser adulto é assim
Tão sem pudor
Se ser adulto é assim
Viver vazio de amor
Então acho que sou feliz
Sendo eterna criança
Será que para mim
Ainda resta esperança?
Se ser maduro é assim
Trair a mulher na própria cama
Se ser maduro é assim
Dizer ao filho gay que não o ama
Então acho que vou reprimir
Fugir do movimento
Porque talvez assim
Diminua o sofrimento
Se é pra descobrir
Que devo viver conformada
Se é pra descobrir
Que a verdade não serve de nada
Então acho que vou fugir
Para as ilhas mais remotas
Tentar recomeçar dali
Uma sociedade menos morta
Se ser adulto é assim
Tão sem pudor
Se ser adulto é assim
Viver vazio de amor
Então acho que sou feliz
Sendo eterna criança
Será que para mim
Ainda resta esperança?
Tão sem pudor
Se ser adulto é assim
Viver vazio de amor
Então acho que sou feliz
Sendo eterna criança
Será que para mim
Ainda resta esperança?
Se ser maduro é assim
Trair a mulher na própria cama
Se ser maduro é assim
Dizer ao filho gay que não o ama
Então acho que vou reprimir
Fugir do movimento
Porque talvez assim
Diminua o sofrimento
Se é pra descobrir
Que devo viver conformada
Se é pra descobrir
Que a verdade não serve de nada
Então acho que vou fugir
Para as ilhas mais remotas
Tentar recomeçar dali
Uma sociedade menos morta
Se ser adulto é assim
Tão sem pudor
Se ser adulto é assim
Viver vazio de amor
Então acho que sou feliz
Sendo eterna criança
Será que para mim
Ainda resta esperança?
Indefinido
Eu só quero viver em meio às flores, em meio à grama alta e às árvores enormemente antigas. Quero sentir o cascalho sob os pés, descobrir novos aromas e tocar na água, serena ou apressada, ao som da vida abençoada com a isenção de dores de cabeça evitáveis. Quero sentir o vento tocar-me as pernas e sorrir diante do verde das folhas vivas - e também do laranja das mortas. Quero a companhia das novas descobertas. Quero desintoxicar com tal amabilidade. Mas é só por algum tempo. É só até que eu comece a sentir saudades.
domingo, 12 de setembro de 2010
Ligeiro Pranto Daquela Que Vem Do Mar
Dedico a Marina Nogueira, que combina muito mais com um sorriso. (:
Noite. Aguardada noite. Roupas espalhadas pela cama, combinações dispersas na mente. Sutil empolgação expressa. Não esperar por nada é a simples solução. A prática nunca é como deveria ser. Espera-se, fantasia-se, deseja-se.
A roupa parece sem graça. A maquiagem escorre pelo rosto, destruída pelas lágrimas. Mais destruído ainda o coração. Por quê? Parece que vai ser sempre assim. Parece que não tem jeito. Incrivelmente, o momento mais doloroso é a memória mais cheia de detalhes. Cada um deles fazendo brotar mais lágrimas, causando mais dor.
Mas teria isso motivo? Teria isso tanto valor? Valeria tantas lágrimas e tanta dor? Por que continuar a desejar o que não é recíproco e se auto-punir por tal? Sorrisos ainda existem, a dor logo parte, novos desejos logo surgem e a dor antiga vira graça. Um sorriso ameno em breve virá. Com isso em mente, as lágrimas param. As pessoas ao redor são um conforto inegável. Um riso sem muita graça vem. E, desse jeito, logo ele torna-se um riso intenso. Não há motivos para sofrer assim. O sorriso sincero em breve virá. Breve, é só querer.
Noite. Aguardada noite. Roupas espalhadas pela cama, combinações dispersas na mente. Sutil empolgação expressa. Não esperar por nada é a simples solução. A prática nunca é como deveria ser. Espera-se, fantasia-se, deseja-se.
A roupa parece sem graça. A maquiagem escorre pelo rosto, destruída pelas lágrimas. Mais destruído ainda o coração. Por quê? Parece que vai ser sempre assim. Parece que não tem jeito. Incrivelmente, o momento mais doloroso é a memória mais cheia de detalhes. Cada um deles fazendo brotar mais lágrimas, causando mais dor.
Mas teria isso motivo? Teria isso tanto valor? Valeria tantas lágrimas e tanta dor? Por que continuar a desejar o que não é recíproco e se auto-punir por tal? Sorrisos ainda existem, a dor logo parte, novos desejos logo surgem e a dor antiga vira graça. Um sorriso ameno em breve virá. Com isso em mente, as lágrimas param. As pessoas ao redor são um conforto inegável. Um riso sem muita graça vem. E, desse jeito, logo ele torna-se um riso intenso. Não há motivos para sofrer assim. O sorriso sincero em breve virá. Breve, é só querer.
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